Resenha: Eco(s) da História

As questões ambientais estão cada dia mais presentes em nosso cotidiano, seja nos meios de comunicação: jornais, internet, rádio; seja em nossa vida prática: com enchentes cada vez mais constantes e estações climáticas “desreguladas”, entre tantos outros fenômenos naturais. Não é por menos, nosso estilo de vida mediado por nosso sistema econômico (capitalista) vem causando um desastroso e irreparável impacto no meio ambiente, em nossos sistemas sociopolíticos e culturais. Em relatório feito pelo IPCC (Intergovernamental Panelon Climate Change) de 2001, a concentração de CO² atmosférico aumentou, desde 1750, mais de 31%, sendo que 50% desses valores ocorreram nos últimos cinquenta anos, quando houve também um acréscimo significativo de combustíveis fósseis nas atividades socioeconômicas dos seres humanos (MARENGO & SOARES, 2003). Segundo Arthur Soffiati em seu artigo Algumas palavras sobre uma teoria da eco-história (2008, p. 14):

A partir de 1970, cresceu a percepção de uma crise ambiental planetária manifestada por esgotamento dos recursos naturais não-renováveis, particularmente os fósseis, sobre os quais apoiaram-se a indústria e o sistema de transporte automotor; pelas diversas formas de poluição (da água, do ar, do solo, dos alimentos, dos organismos vivos, inclusive do ser humano); pela destruição gigantesca dos ecossistemas (rios, lagos, mares e florestas); pela extinção de espécies; pelo aquecimento global; pela distribuição desigual de recursos entre os Mundos Norte e Sul e no interior de cada Estado-Nação; pelas unidades geradoras de energia e industriais perigosas; pelas mudanças climáticas provocadas com a emissão de gases e com a destruição do equilíbrio dos sistemas, entre outras.


Não há para onde fugir. Toda esfera da vida humana e não humana sofrerá com os impactos dessas transformações (causada pelo próprio ser humano). Será necessário dispor de um empreendimento incisivo em ações mitigatórias para garantir a qualidade de vida e sobrevivência, principalmente das civilizações mais pobres. Nesse sentido, a ciência surge como uma opção, como um dos caminhos mais confiáveis que podemos seguir para lidar com essas transformações. Inclusive, ela existe para nos ajudar a conhecer o mundo em que vivemos e construir ferramentas para responder questões e solucionar problemas – por meio de políticas públicas, projetos de extensão, pela escola e movimentos sociais - da nossa realidade imediata. Esse é um princípio básico entre a comunidade científica, entretanto, não é uma informação disseminada entre os conhecimentos populares da comunidade civil, e por isso se faz fundamental, sempre que possível, a reafirmação de tal informação. Soffiati (2008, p. 15) nos diz que:

Para as ciências humanas da natureza não-humana e das antropossociedades, esta nova realidade está a conduzi-las em direção ao adjetivo ambiental ou ao radical eco. Cada vez mais se fala em física ambiental, química ambiental, biologia ambiental, demografia ambiental, economia ambiental, sociologia ambiental, ecopolítica e história ambiental ou eco-história.


Entre tantas disciplinas científicas responsáveis por estudar e desenvolver medidas para lidar com os impactos deixados pelas transformações climáticas em nossa relação com o meio-ambiente, a História também seguirá por esse caminho. Vale ressaltar que - assim como as diversas áreas da ciência – a História, busca responder questões do nosso presente e nos ajudar a entender nossa realidade imediata. Indo de acordo com uma linha de “temas” que se alteram dentro da própria historiografia, por exemplo: desde os anos 70, as pesquisa sobre cultura, gênero e raça ganharam força e hoje despontam como tendências. As questões ambientais também vêm conquistando seu espaço dentro da História, buscando responder as questões geradas pelo impacto das mudanças climáticas acelerada pelo próprio ser humano, ainda que esse campo de interesse lute para se estabelecer dentro da comunidade de historiadores.

Essa resistência parte de dentro do núcleo da própria disciplina e de seus praticantes. Sendo a história uma ciência humana, seu principal protagonista sempre foi o ser humano e o impacto de suas ações no espaço e no tempo. Esse posicionamento vem se perpetuando desde o surgimento da História (científica) com o Positivismo e o Historicismo, considerada a primeira revolução da historiografia, e a Escola dos Annales/História Nova, a segunda grande revolução historiográfica. Segundo Donald Worster (2008) (eco-historiador norte-americano), a Eco-História representaria a terceira grande revolução da historiografia. Mas essa mudança enfrenta e enfrentará alguns obstáculos. Conforme Soffiati (2008, p. 14):

Sem perceber o vínculo entre seus respectivos sistemas filosóficos e científicos como os interesses de uma economia de mercado emergente, Galileu, Francis Bacon, René Descartes e Isaac Newton, quatro expoentes de uma legião de pensadores, conceberam uma natureza mecânica (e não orgânica) dissociada do ser humano e de sua sociedade, mas colocada a seu serviço como escrava. O Iluminismo sofisticou o mecanicismo e exaltou, com raríssimas exceções, o poder humano sobre a natureza. As concepções organicistas passaram a viver em semiclandestinidade, usando o manto do obscurantismo, como se conservassem os últimos resíduos de magia e de superstição.


Nesse sentido, para se estabelecer, a eco-história e o eco-historiador deverão entrar em um embate com algumas epistemologias que nascem junto com o pensamento europeu moderno – e com grande impacto na História- o antropocentrismo (que desliga o ser humano da natureza e o coloca como centro de interesses nas produções cientificas), o cartesianismo e o mecanicismo, tão fortemente enraizados na ciência moderna.

A natureza não-humana sempre esteve presente nas produções históricas, mas sempre ocupando um papel secundário (ou mesmo nem sendo levado em conta) nos processos. Os historicistas e positivistas não negavam a natureza não-humana propriamente dita, mas ela sempre ocupava o papel de “palco” das ações dos seres humanos (SOFFIATI, 2008). Já os historiadores dos Annales, abordaram a natureza não-humana como um elemento que faz parte da vida humana, não conferindo a ela o papel de protagonista, mas como recursos que davam condições a vida humana (SOFFIATI, 2008).

Mais próximo da Eco-história, a história ambiental vem defendendo um protagonismo cada vez maior da natureza não humana em sua relação socioeconômica, política e cultural com os seres humanos, estabelecendo um diálogo cada vez maior com as ciências sociais e as ciências da natureza. Esse movimento garante que a natureza não-humana deixe de ser um espaço inerte, apenas um depósito de resíduos e um estoque inesgotável de recursos.

Em um movimento muito similar, a Eco-história vem se propondo ouvir as mensagens que a natureza vem nos dizendo (de forma não verbal) ao longo do tempo. Segundo Soffiati (2008, p. 16):

Trata-se dos estudos concernentes às relações das sociedades humanas com um determinado ecossistema, ou com um conjunto inter-relacionado deles (bioma), ou, ainda, com uma região apresentando relativa unidade ambiental (eco-região), considerando também a natureza não-humana como um agente histórico que “fala” de alguma forma ante as relações que se estabelecem entre ela e as antropossociedades.


A grande mudança seria considerar a natureza como um sujeito-ator que deixa a marca de suas ações no espaço e no tempo. Outro eco-historiador, Donald Worster, propõe no mesmo sentido, que a natureza não-humana produz sua própria historicidade, e que um de seus únicos integrantes tenha logrado na construção de uma historicidade própria: O Homo sapiens. O autor ainda discorre sobre as relações mais profundas do sapiens com o meio ambiente:

A profundidade, neste caso, chega a atingir a estrutura orgânica do ser, procurando explicar de que forma as transformações ambientais levaram um grupo de primatas a sofrer mudanças anatômicas na coluna vertebral, na ampliação da caixa craniana e do cérebro, na liberação das mãos e na adaptação dos pés à marcha ereta. Neste nível, são estudadas as relações interretroativas de ecossistema, espécie, indivíduo, sociedade e cultura, tanto para dimensionar o papel dos ecossistemas quanto o da cultura no processo de seleção natural (WORSTER, 1991, p. 202)


É possível notar uma preocupação dos eco-historiadores em transcender o debate com estudos que não foquem somente nas relações geradoras de desequilíbrio entre sociedades humanas contra a natureza não-humana. A primeira etapa da eco-história, ao focar suas pesquisas somente nas relações produtoras de desequilíbrio, tinha por trás disso todos os outros elementos que clamavam por serem ouvidos. Esse foco somente nas relações produtoras de desequilíbrio, colocava a natureza não humana em pauta somente nos dramas e tragédias gerados pela irresponsabilidade humana.

Soffiati apresenta ainda alguns fundamentos para a construção de um quadro teórico para a eco-história: (I) O que diferencia a Eco-história das histórias das relações materiais e culturais é a implementação da natureza não-humana agente/ator da história. Para ele, os domínios físico, químico e biológico têm um papel ativo na história, e não são mais vistos com agentes passivos, inertes ou inanimados. A Eco-história estabelece a interação entre o mundo natural e cultural, seja de forma racional, dialética ou dialógica, o que pressupõe uma continuidade entre natureza e cultura. Desse modo, a natureza não-humana tornou-se produtora de fontes elaboradas por sua própria dinâmica que registram suas interações com as sociedades humanas; (II) A mistura epistemológica entre natureza e cultura tem no cérebro humano o ponto de ligação.   A natureza não-humana, em seu processo evolutivo, produz, entre muitas de suas criações, uma estrutura cerebral complexa. Emergência da vida, dos animais, dos vertebrados, dos mamíferos, dos primatas e dos hominídeos, este cérebro também gera emergências: a mente, o inconsciente, a memória, a consciência central e ampliada, o pensamento, a cultura, as representações. Eis porque a eco-história procura, na estrutura e no funcionamento do cérebro humano, os processos de formação das representações; (III) Ao contrário do que pensa o senso comum, até mesmo entre historiadores, a eco-história não alija o ser humano de suas investigações nem o constrange a esquemas reducionistas e deterministas; (IV) Sem se preocupar se a classificam como moderna ou pós-moderna, a eco-história não se alimenta da intolerância da Modernidade nem se pulveriza na atomização da Pós-Modernidade. Em seus postulados teóricos mais abrangentes, ela cultiva a razão dialógica e não tem a mínima intenção de deter a verdade do seu tempo. Trata-se de uma abordagem possível da realidade que se constitui sobre a argumentação, não sobre o racionalismo monológico; (V) Os fragmentos de saber – ciências ou disciplinas científicas – criados pela Modernidade para melhor compreender, analisar e explicar o real conduziram a uma verticalização do conhecimento em detrimento de sua horizontalidade. Sabe-se cada vez mais a respeito de cada vez menos. Ao animar a natureza não-humana, transformando-a em agente, personagem, protagonista, a eco-história se viu obrigada a recorrer a outros campos do saber para melhor elucidar as relações das antropossociedades com os ecossistemas. Amulti e a interdisciplinaridade mostraram-se insuficientes para tal empreendimento. Só mesmo a transdisciplinaridade revelou-se promissora para essa análise abrangente. A transdisciplinaridade passa a ser o método que melhor se ajusta à compreensão e à explicação dos sistemas complexos, pois revoluciona o saber, reordena os diversos objetos, faz ruir barreiras, incorpora a subjetividade, introduz a complexidade e repele o determinismo. 

Afinal, pra que serve a eco-história? Segundo as tendências historiográficas atuais e a comunidade de historiadores, para nada, quando muito para explicar processos. De acordo com Soffiati, a eco-história, diante da crise climática e todas as implicações que traz, além da crise que também afeta esse campo do saber, explica e ajuda a mudar a sociedade, ascende o domínio das relações sociais de todos os tipos para adentrar no domínio das relações das antropossociedades natureza não-humana, exaltando a existência de um terceiro elemento na produção do conhecimento – a natureza – sempre vencedora no final.

No âmbito do pragmatismo, a eco-história mostra o que foi e o que é, permitindo que o eco-historiador contribua para a restauração e a revitalização de ecossistemas nativos e transformados. Ela permite a compreensão de intervenções pretensiosas da Modernidade na natureza e a sua recuperação em termos pré ou pós-modernos.

Concluindo, a eco-história ainda tem um longo caminho a percorrer para conseguir se estabelecer como um campo do saber realmente significativo, agora dificilmente haverá campo fértil para lograr sucesso. Para isso, seria necessária uma mudança curricular nos cursos de História e em nível institucional, também uma mudança drástica nas demandas da sociedade civil e principalmente política.

Levando em consideração o momento atual, em que na esfera administrativa do Brasil se encontra: um governo que nega as mudanças climáticas e não tem comprometimento algum com políticas públicas que garantam a preservação do meio ambiente, e no sentido contrário da preservação, propõe políticas que flexibilizam as leis já existentes, garantindo o mínimo de proteção à natureza não-humana em detrimento da exploração da terra (avanço da agropecuária e do garimpo ilegal em terras amazônicas, por exemplo), dificilmente teremos uma mudança significativa, que garanta a transformação do comportamento da sociedade civil e também na produção de conhecimento, que quebre com os padrões estabelecidos, desde a fundação da ciência moderna como a conhecemos.


Referências:

ALMEIDA, Jozimar Paes de. A extinção do arco-íris: ecologia e História. Campinas: Papirus, 1988.

BATESON, Gregory. Natureza e espírito. Lisboa: Dom Quixote, 1987.

BOURDIEU, Pierre. Sobre o poder simbólico. In: _____. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

BURKE, Peter. Abertura: a Nova História, seu passado e seu futuro. In: _____. (Org.). A escrita da História: novas perspectivas. São Paulo: Unesp, 1992.

MARENGO, J.A. (coord.) (2006) - Mudanças Climáticas Globais e seus Efeitos sobre a Biodiversidade. Caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do Século XXI. Ministério do Meio Ambiente. Brasília, DF, Brasil. ISBN: 8577380386. Disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf    

SOFFIATI, Arthur. Algumas palavras sobre uma teoria da eco-história. In: Desenvolvimento e Meio Ambiente.n. 18 Paraná: Editora UFPR. jul./dez. 2008.

WORSTER, Donald.Para fazer história ambiental. In: Estudos Históricos. n. 8. Rio de Janeiro: Associação de Pesquisa e Documentação Histórica, 1991. 

Acesse o texto original aqui.




Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: Pedagogias Decoloniais.

Orientação de TCC corre bem e integrante do Ribombo consegue dormir bem a noite


Por maior que seja minha vontade de passar todos os dias dessa quarentena jogando vídeo game e assistindo coisas na internet, contrariei meus pensamentos e decidi por dar início ao meu trabalho de conclusão de curso. Claro, o maior motivo pra isso é eu não querer ocupar meu tempo ocioso que gostaria de ter quando as aulas voltarem com o tcc, nem complicar a vida da minha orientadora quando as tarefas também voltarem a se acumular, já que é o modus operandi da vida na universidade.

Dito isso, nesse último sábado, dia 30 de maio, realizamos uma orientação virtual, como já há algum tempo o fazemos, pois é o método que optamos para conversarmos sobre esse trabalho especificamente. Reservamos esse dia para ela me dar o parecer acerca do primeiro capítulo do trabalho que eu enviei pra ela uns dias antes, e por mais que eu estivesse esperando uma bela bronca e minha exoneração do cargo de orientando dela, também por ter tido pesadelos nas noites que antecederam esse nosso encontro, eu tive uma surpresa bem agradável, ganhei os parabéns!

Foi bem espantoso receber os parabéns por algo feito durante um contexto nem um pouco favorável para o desenvolvimento desse tipo de atividade, onde temos que sentar, estudar, pensar e escrever, fazendo o possível pra não ficar só pensando nas bombas que nos atingem todos os dias, não somente, mas principalmente por vivermos nesse nosso querido país que as vezes parece contrariar as leis da lógica aceitável. E por mais que uns defendam que a quarentena não é férias, não me sinto nem um pouco culpado por ter passado semanas vivendo a vida que sempre quis quando vim pra faculdade: passar os dias bebendo cerveja e dormindo.

Moral da história: conseguir desenvolver um trabalho durante esse período é importante, legal e bacana, no entanto, mais importante do que isso é cuidarmos de nós mesmos, já que muitos de nós para além de se preocupar consigo mesmos, precisam se preocupar com a família e amigos que estão longe; eu mesmo sou um exemplo disso, já que moro com algumas pessoas jovens que não estão respeitando as recomendações de saúde de maneira satisfatória, ainda tenho que me preocupar com meus irmãos que insistem em levar os amigos pra comerem churrasco em minha casa (já falei pro meu pai soltar o cachorro no quintal pra ninguém entrar em casa, mas ele não quer fazer isso).

Portanto, se puderem e forem obrigados, continuem desenvolvendo suas tarefas em casa, caso contrário, façam o que gostam, que acham que vai ajudar a lidar com tudo o que está acontecendo, cuidem da saúde mental de vocês e, também, se puderem ajudem o colega que tá passando por dificuldades, vamos nos ajudar e cuidar uns dos outros, galera!

E um muito obrigado, Rachel, por ter tanta paciência comigo nesse período, estou me esforçando, "pegando no tranco" mas me esforçando pra fazer isso ficar mais fácil pra nós dois e, quando tudo isso passar e a gente puder se encontrar pessoalmente, te pago uma rodada de cerveja.

OBS: meu cabelo está bagunçado porque estou no conforto do meu lar, e é isso aí.


Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: A potencialidade da Educomunicação no Rap Paulista.


Ribombo lança Tempo pra Cinema #5


Mais uma semana se passou e para a alegria de todas e todos, mais um episódio do nosso podcast foi lançado. E com tempo sobrando, a produção da série "Tempo pra Cinema" está a todo o vapor!

Partindo de uma temática pré-definida, que se baseava em Cinema e Jornalismo, os filmes escolhidos pelos participantes para o debate neste episódio foram Rede de Intrigas (1976) e O Abutre (2014). E novamente, quem participa deste episódio é o nosso time de cinéfilos, Felipe Nóbrega e Régis Garcia, que são comandados pela Rachel Hidalgo, que aos poucos está tomando gosto pelo poder.

Portanto, aproveite essa quarentena que já está nos cansando e mergulhe nesse mundo de investigação e suspense ouvindo mais esse episódio do podcast do Ribombo e, após ouvi-lo, assista aos filmes indicados pelos participantes.

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Participantes: Felipe Nóbrega, Rachel Hidalgo e Régis Garcia
Coordenação do projeto: José Vicente de Freitas e Felipe Nóbrega
Direção e edição: Alisson Lucena



Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: A potencialidade da Educomunicação no Rap Paulista.

Ribombo realiza primeiro encontro virtual


Ontem (27/05) foi um dia especial, tanto por ter sido um dia de despedida, pra mim, quanto por termos conseguido nos encontrar pra bater um papo utilizando uma ferramente ofertada por essa maravilha que é a internet. Pessoalmente não entendo muito dessas coisas, mas como no grupo têm pessoas que entendem, fomos capazes de realizar um encontro virtual a fim de debatermos sobre o objeto proposto e, também, revermos os rostos de pessoas que éramos acostumados a encontrar quase todos os dias, mas que em razão da pandemia e a consequente quarentena que nos foi imposto para nossa proteção não víamos há muito tempo.

E o objeto que foi o tema de nosso encontro ontem foi o filme chamado Ponto de Mutação (1990), baseado no livro de mesmo nome, escrito pelo físico teórico Fritjof Capra em 1982. Como de costume, não faltaram críticas e também elogios, principalmente ao livro, visto que o filme apresenta algumas problemáticas, como a maneira que foi conduzido, fazendo pessoas como eu, ficarem com sono ao longo dele.

Deixando isso de lado, o encontro foi um sucesso, desconsiderando os problemas técnicos que sempre acontecem nesse tipo de plataforma, como "delay", perdas de som e imagem; mas mesmo em razão disso, foi revigorante e satisfatório reencontrarmos pessoas que sempre têm importantes considerações a compartilhar em nossos debates e além da parte acadêmica, foi muito bom rever pessoas que nutrimos carinho e inspirações.

Por fim, caso tudo dê certo, daqui um tempo nos encontraremos novamente e traremos atualizações acerca de futuros encontros virtuais, visto que diferente de significativa parcela da população brasileira, estamos respeitando e nos adaptando às recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) a fim de continuarmos produzindo e nos reunindo, na medida do possível.




Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: A potencialidade da Educomunicação no Rap Paulista.

O Clima: a história da chuva e do bom tempo


Ladurie inicia o artigo dissertando brevemente sobre o histórico dos historiadores do clima na Europa, apontando as suas fontes de análise e mesmo algumas metodologias de pesquisa. Em especial, o autor demonstra como técnicas de investigação ligadas às ciências da natureza, como a dendrocronologia[1] e a fenologia[2] são fundamentais para que a história do clima possa ser escrita de forma segura. Este primeiro movimento já aponta como tal temática da história está intrinsecamente conectada às demais ciências e principalmente ao conceito de interdisciplinaridade.

Evocando Paul Vayne, Ladurie afirma que o objetivo dos historiadores do clima nada tem a ver com contar a história da humanidade através desta importante temática- apesar de ser uma maneira interessante de fazê-la - mas sim de auxiliar nas previsões meteorológicas e climáticas do futuro.  O autor associa as fomes e epidemias do passado com o clima do planeta. Este recurso argumentativo parece querer reforçar a importância do papel dos historiadores do campo da climatologia, uma vez que nossa profissão foi por muito tempo menosprezadas pelos cientistas do clima.

O artigo segue em um debate sobre os principais trabalhos e metodologias de abordagem do clima em uma perspectiva histórica, não deixando de lembrar sempre como os historiadores podem auxiliar a preencher as lacunas nos registros da história do clima. De fato, Ladurie volta a ideia de que como o trabalho dos meteorologistas é prever o clima do amanhã, pouco podem, ou mesmo sabem, como compreender o clima do passado e entender como este passado pode de fato auxiliar a prever o futuro.

O texto passa a associar o sucesso das colheitas ou mesmo o fracasso de culturas agrícolas com as chuvas e secas do passado. Fica evidente como o clima, a chuva e o bom tempo possuem uma influência enorme no desenvolvimento da economia e mesmo do comportamento dos povos antigos. Essa ideia de que as chuvas ou a falta delas acarretam um impacto no decorrer da história pode parecer banal e óbvia hoje, mas não era assim quanto este texto foi escrito.

Ainda debatendo sobre os métodos, ao seguir escrevendo sobre a importância da dendrocronologia, o autor nos leva a refletir como a preservação, tanto da natureza, quanto dos monumentos e prédios históricos se mostra importante para que tal metodologia de analise possa ser frutífera.  Uma vez que se mostra necessário estudar os anéis das árvores para compreender o clima, faz-se necessário tanto a preservação dos bosques e florestas antigas, como os objetos construídos com a madeira das árvores seculares.

Esta reflexão não está expressa no texto, não obstante ser inerente à discussão. De fato, o que é expresso no artigo é a importância que tal método pressupõe para a construção de pesquisas sob a perspectiva da longa duração. Além disso, Ladurie aponta que este tipo de análise pode ser mais frutífera ao campo da arqueologia do que da história.

Já encaminhando para o final, o texto passa discorrer sobre formas de entender o clima, o ciclo das chuvas e a influência dela nas atividades humanas por outras perspectivas, em especial através do vinho. Buscando traçar paralelos entre a qualidade do vinho e o clima, os estudos nesse campo podem oferecer perspectivas climáticas sobre regiões onde não é possível levantar dados através de arquivos ou da natureza.

O artigo indica a ideia da necessidade de cruzar todos os dados e métodos explicitados, no tocante a torná-los concisos e rigorosos o suficiente para que possam ser generalizados. A ideia é que os métodos individuais sejam triangulados com outros se possíveis. Tal prática visa aperfeiçoar as metodologias singulares para que estas sejam passíveis de rigor quando aplicadas de forma solo.

Este artigo é, no fim, mais que um texto que aborda metodologias de análise do clima no passado, um manifesto sobre a importância da perspectiva histórica para outras ciências, nesse caso a do clima. Ladurie escreve em uma época em que a história interdisciplinar ainda estava se afirmando no mundo, e as novas abordagens fora da ciência política e econômica não eram tão bem vistas pelo campo da história. Este artigo é um marco para a historiografia e, sem dúvidas, um dos textos que fundam a história ambiental europeia.


REFERÊNCIAS

LADURIE, Emmanuel Le Roy. O clima: a história da chuva e do bom tempo. In: LE GOFF, Jacques. História: Novos objetos. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1995.

Acesse o texto original aqui.




[1] A dendrocronologia é um método científico de datação da idade de uma árvore baseado nos padrões dos anéis em seu tronco. É estabelecida de acordo com o clima das épocas, e por isso, torna-se um grande método de datação absoluto dos climas passados. (Wikipédia)
[2] Fenologia forma contraída de “Fenomenologia”, é o ramo da Ecologia que estuda os fenômenos periódicos dos seres vivos e suas relações com as condições do ambiente, tais como temperatura, luz e umidade. (Wikipédia)



Graduação em História (FURG) e mestre em Educação Ambiental (CAPES/FURG).
Tema de pesquisa: História Ambiental.

#PodcastRibombo dá dicas de jogos para sua quarentena


Quem nunca sonhou em ter um computador gamer de última geração em que rodasse qualquer jogo com o máximo de capacidade gráfica sem se preocupar com superaquecimento ou com derretimentos e possíveis explosões? Eu ainda sonho com isso, mas não é por isso que deixo de jogar meus "vídeo jojos" no computador, e é esse o tema do episódio dessa semana do Podcast do Ribombo.

E quem vem nos dar algumas dicas de jogos online para se divertir nessa quarentena (ou tentar) é o Gabriel Ferreira, que uma vez terminada e defendida sua dissertação, tem tempo de sobra para se dedicar inteiramente à esse mundo, que cada dia que passa consegue mais e mais adeptos que gastam toda a sua mesada em "skins" lendárias que não os ajudam em nada na hora do "vamo ver" se o jogador for ruim.

Pubg Lit (que é o único que conheço dos indicados), Dying Light e The Evil Within foram os indicados pelo Gabriel, que além do Movimento Fora Celulose (ouvir o episódio sobre o assunto) se mostra um grande conhecedor do mundo dos jogos, o que deve fazer o Felipe Nobrega ficar perdido ao longo da conversa sobre esse meio de diversão e ódio que é amado por tanta gente.

Então, você que está com tempo livre e busca algo pra se distrair e passar o tempo, além de ouvir os episódios de nosso podcast, pode se arriscar e baixar esses e outros jogos - se você confiar na capacidade do seu computador, claro.

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Participantes: Felipe Nobrega e Gabriel Ferreira
Coordenação do projeto: José Vicente de Freitas e Felipe Nobrega
Direção e edição: Alisson Lucena



Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: A potencialidade da Educomunicação no Rap Paulista.