Rede Braspor: a experiência do encontro

Foto: Luiza dos Santos Osório

Um encontro da Rede Braspor começa bem antes da solenidade de abertura que, oficialmente, demarca seus eventos. A trama que une todos não é propriamente científica, em um sentido estritamente curricular, ou coisa que o valha no universo acadêmico pautado pelo produtivismo impessoal e autofágico. O que está no centro dos eventos dessa rede de pesquisadores portugueses e brasileiros é então, a valorização da experiência do encontro.

Produzir ciência sobre zonas costeiras a partir desse conceito agrega o elemento do afeto. É o sensível que vem à tona quando existe a espera do encontro para, primeiro, estar com os colegas e, depois, tornar esse momento uma possibilidade de cada um conversar os seus temas de pesquisa. É por isso que o modelo da Braspor organizar seus eventos é um pouco diferente do convencional. Ao contrário das inúmeras divisões em salas de comunicação, ou até mesmo do amplo número de palestras transformadas, muitas vezes, em monólogos, o interesse se concentra em todos os participantes ouvirem todos os participantes em painéis multitemáticos e efetivamente interdisciplinares.

Nesse formato pudemos ouvir o professor João Guerra (Universidade de Lisboa) na fala de abertura do evento, e logo em seguida passar três dias conhecendo os trabalhos e projetos dos diversos participantes em painéis até o encerramento com a conferência do pesquisador João Alveirinho (Universidade do Algarve). 

Como se pode perceber, o privilégio está na fala e escuta do maior número de pesquisadores possíveis, fazendo com que a troca de saberes ocorra de forma horizontalizada, não existindo diferença hierárquica no formato da composição de cada uma das mesas. Podem estar debatendo pós-doutor com graduando, mestrando com profissional da gestão pública. O importante é estar ali, junto, discutindo os vários olhares sobre as zonas litorâneas. Por tudo isso fica claro a tônica diferenciada das discussões científicas da Braspor, em que a lógica do encontro está posta para além do nome do evento, e sim como conceito de experiência do estar junto.


Felipe Nobrega Ferreira
Drn. em Educação Ambiental