Reflexão: Ribombo #2


É sempre interessante a reunião de pessoas que se dedicam, cada um a seu modo, a uma pesquisa, a uma área do saber, a uma forma de fazer pesquisa. Em resumo, diferentes personagens sociais, cada um trazendo consigo referências diferentes que se juntam e se somam para trocas de experiências, num ambiente descontraído para a exposição e discussão das dificuldades particulares a cada um, da escrita e dos constrangimentos que este exercício pode trazer. E assim, foi realizado na quarta-feira, 26 de setembro, mais uma reunião do grupo de pesquisa Ribombo.

Iniciamos este encontro com uma pequena roda de conversa sobre os evento que acabaram de ocorrer, o VIII BRASPOR (19-22 de setembro) e de como foi a experiência na participação de tal acontecimento, principalmente para os novos integrantes, em que cada um contou um pouco dessa experiência da participação nos bastidores de um evento acadêmico e não apenas visualizar os eventos se desenrolando da cadeira do auditório perante os palestrantes.

Em seguida, passamos as apresentações para a MPU - Mostra de Produção Universitária da Universidade do Rio Grande. Uma espécie de preparação prévia de dois alunos da graduação. Enquanto o primeiro falou sobre o processo civilizatório, o segundo compartilhou sua experiência numa pesquisa de doutorando e o uso do caderno de campo como ferramenta nesta pesquisa.

Após a apresentação de cada aluno, ocorreu uma roda de conversa sobre dicas e apontamentos, tanto da apresentação como dos resumos e slides que circularam, dos referenciais teóricos e de outros aspectos que foram levantados pelos membros . Como se tem diferentes titulações entre os participantes, se formou uma troca de informações muito profícua, um intercâmbio de falas entre os membros no qual, pela própria ideia do papel do grupo, as barreiras de titulação e hierarquização desaparecem, dando espaço para a experiência que cada um traz consigo como moeda de troca.

Nesta reunião, diferentemente da anterior, não se visava um debate teórico ao redor de um ou outro autor, um ou outro conceito, porém, mesmo que sem este planejamento o debate ainda assim surgiu. Tópico que alongou a conversa foi a questão dos diferentes tipos de diários de campo, se baseando no texto A entrevista, a pesquisa e o íntimo, ou: por que censurar seu diário de campo? de Florence Weber. A autora, além de contar um pouco de sua própria experiência com cadernos de campo, estabelece diferenças entre caderno de campo, de pesquisa e caderno íntimo e como cada categoria, ou status que se dá aos diferentes tipos de cadernos, ou até mesmo ao autor/dono do caderno, influenciam na escrita do mesmo, examinando ainda como a intencionalidade de uma publicação futura desse tipo de material pode, na realidade, atrapalhar seu uso metodológico ao invés de se tornar numa ferramenta científica.

Entre nós, o foco da questão se deu nos diferentes tipos de cadernos e sua ligação com a pesquisa, entre os limites do que é ou não um caderno de pesquisa. Finalizamos amarrando certas pontas burocráticas como materiais e textos para o próximo encontro, o acerto de mais apresentações prévias para os outros membros. A troca de informação sobre pesquisas, no geral, acaba surgindo e, novamente, uma troca de ideias naturalmente ocorre.

Bibliografia
WEBER, Florence. A ENTREVISTA, A PESQUISA E O ÍNTIMO, OU: POR QUE CENSURAR SEU DIÁRIO DE CAMPO?. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 15, n.32, p.157-170, jul./dez. 2009. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/ppgas/ha/index.php/pt/>.
                                       
                                                                                                
          

Graduado em História (FURG).
Tema de pesquisa: Civilização e Modernidade em Cidades Costeiras no Século XIX.