Educação Ambiental e o Assentamento Novo Arroio Grande


No momento em que se percebe nas famílias certa resistência em implantar medidas mínimas que encaminhem a propriedade na direção de uma transição agroecológica é que se insere a abordagem da educação ambiental, como aporte de interação e compreensão da realidade existente entre as famílias envolvidas no trabalho (SILVEIRA & MAIA, p. 20)

Cidade localizada no Rio Grande do Sul, Arroio Grande faz parte da região sul do Estado e se insere na dinâmica de abastecimento de produtos alimentícios oriundos da agricultura. E será nesse contexto que, focando em um assentamento em meio as demandas que apresenta, que as pesquisadoras Danielle Farias da Silveira e Greice Behling Maia apresentam o trabalho intitulado Educação Ambiental como Abordagem na Extensão Rural em um assentamento da reforma agrária.

Arroio Grande está longe do mar, na verdade ela é a zona limítrofe entre a planície costeira e a região do pampa, mas estabelece uma dinâmica ligada ao universo rural que merece ser problematizada, já que está dentro de uma cadeia produtiva conectada a toda Região Sul, e planície costeira do Estado. Inserir a Educação Ambiental na extensão rural, especificamente em uma relação junto a assentamentos, traz à tona uma serie de situações que merecem destaque.

A pergunta chave das autoras é o alcance da extensão rural que traz em suas práticas a Educação Ambiental enquanto articuladora de mediação entre a natureza e os atores sociais envolvidos no processo de produção e distribuição das suas culturas. Ao reconhecer que, primeiro, existe o que sabemos, o que o pesquisador pensa sobre, e depois a realidade objetiva daquilo que fala o agricultor em seus múltiplos saberes, o trabalho abre as portas para algo importante ao campo da EA: compreender o lugar de fala.

Daí uma metodologia participativa que foi proposta pelas pesquisadoras, que reconhecem no assentamento Novo Arroio Grande um coletivo capaz de projetar horizontes para esse contexto. Lançando mão da Educação Ambiental Crítica, em que as relações políticas e sociais são levadas em conta, e a busca de alternativas deve ocorrer em um amplo diálogo com os setores e atores sociais envolvidos, a pesquisa-ação entra em cena para historicizar o assentamento, elaborar diagnósticos, como os próprios assentados percebem um instrumento desses projetos, a relação com a universidade e demais instituições públicas.

E, claro, como se dá a situação com os agrotóxicos, tema caro, e que traz à tona as origens da própria Educação Ambiental e os escritos de Rachel Carson em Primavera Silenciosa. Porém, para uma questão dessas, a alternativa, ou pelo menos a discussão que precisa ser feita de forma crítica e dialogada, o conhecimento sobre a agroecologia.

Como informam as autoras e aqui cabe ressaltar, este é um trabalho que fez parte de um projeto de extensão universitária intitulado Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Produção Agroecológica de Leite (NEPEL/UFPel), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais (PPGDTSA) e o Curso de Especialização em Educação Ambiental com Ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis, que realizaram levantamentos, viabilizando a elaboração diagnóstico ambiental das propriedades envolvidas no trabalho.

Acesse o trabalho completo das autoras AQUI.


Felipe Nobrega Ferreira
Graduação em História (FURG),
mestrado em História (UFRGS) e doutorando em Educação Ambiental (CAPES/FURG).
Tema de pesquisa: Fenômenos Ambientais Costeiros e Mudanças Climáticas.