A Desobediência presente em exposição na Pinacoteca de São Paulo



Hoje temos a clareza de que o colonialismo deixou marcas profundas em nossa sociedade, tão profundas, que sequer podemos notá-las em nosso dia-a-dia. Está nas relações sociais e políticas, em como processamos e produzimos informação, e também, na forma de nos expressarmos. Seja através da verbalização, da literatura, ou através das expressões artísticas.

Cotidianamente somos bombardeados por padrões estéticos que não representam nossa brasilidade, nossa tradição afro-brasileira e menos ainda a tradição indígena. Há na prática colonialista a negação de nossos corpos, corpos brasileiros (negros, mestiços, indígenas, etc...), em detrimento do que é de fora, euro-centrado. Sendo comum visualizar em comerciais de tv, filmes, novelas, a escolha predominantemente por atrizes e atores “brancos”, geralmente altos, de olhos e cabelos claros.

Nesse sentido, a portuguesa Grada Kilomba, acadêmica, psicanalista, filósofa, escritora, artista e mulher negra, lança a exposição “Desobediências Poéticas”. Seu objetivo é “desobedecer” os padrões e normas estéticas em espaços de memória, ainda coloniais, atuando contra o apagamento da identidade cultural e étnica, e se colocando contra os rastros coloniais ainda patriarcais, machistas, racistas e etnocidas presentes em nossa sociedade.

A matéria “Grada Kilomba: “O colonialismo é a política do medo. É criar corpos desviantes e dizer que nós temos que nos defender deles”, escrita em 12 de setembro de 2019 pela jornalista Joana Oliveira (vinculada à página online do jornal “EL PAÍS”), retrata a experiência da artista multidisciplinar em sua vinda para o Brasil, na exposição que ocorreu na Pinacoteca de São Paulo, esta que ficou em cartaz até o dia 30 de setembro de 2019.


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Guilherme Almeida
Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa: Pedagogias Decolonialistas.