Reforçando laços: Ribombo participa do IX Encontro da Rede BRASPOR em Portugal

Esse é um diário científico de viagem que apresenta parte do processo de internacionalização do Ribombo com o grupo de pesquisadores portugueses sobre mudanças climáticas e zonas costeiras da Universidade de Lisboa e Universidade do Porto. A intenção é apresentar os dias de evento da Rede Braspor, que une os dois lados do Atlântico na busca de troca de experiências, trabalhos, parcerias e, fundamentalmente, amigos que se dedicam a essa temática. 

Diário 1 – Quando os brasileiros “descobrem” Portugal


A chegada em Portugal, mais precisamente Lisboa, é sempre uma nova descoberta. Sim, somos nós brasileiros que resolvemos fazer isso atualmente, descobrir Portugal. Evidente que se está diante de outro sentido, mas não deixa de ser irônico se ver gostando tanto desse sítio.

No dia seguinte, logo pela manhã partimos para Sagres, só que até lá, junto com o grupo da Rede Braspor, paramos em algumas praias da região do Algarve (Setúbal, Sines, Ilha do Pessegueiro) todas elas consideradas as de maior energia, o que as torna ainda mais incríveis, ao mesmo tempo em que as que mais sentem, em nível de intensidade, os efeitos das mudanças ambientais globais.

Seja durante a viagem, ou nas praias, todo o trajeto foi acompanhado de uma comitiva científica que tratou de explicar e problematizar cientificamente cada situação costeira em jogo. Geólogos, botânicos, historiadores compartilharam informações relevantes, e formativas, transformando o que parecia um passeio em algo mais, na verdade, uma aula-passeio.

O fim do dia foi de puro cansaço, mas também da certeza de aprendizagem. E quando o dia termina assim é sinal claro que valeu. Valeu muito.

Diário 2 – O começo do evento

Um evento que acontece nesse lugar...


O início das atividades na Fortaleza de Sagres contou com o lançamento do VIII livro da Rede Braspor, o qual contém os trabalhos apresentados no evento que organizamos na nossa Universidade no ano passado. E, para minha surpresa, a foto de capa é minha. E claro, nesse material encontram-se quatro capítulos escritos por integrantes do Ribombo!

Em seguida a professora Joana Gaspar de Freitas mostrou o livro “Imaginários do Mar”, o qual seguirá com mais edições e projetos que surgem dessa iniciativa. E quando iniciou a primeira fala a pesquisadora Maria do Céu Baptista simplesmente disse o que se passa na minha cabeça. Como assim?

Então, é quando a doçura de uma cientista invade a sala para que todos possam ouvir uma realidade dura: “Precisamos ouvir mais as pessoas”. Simples assim. Ao propor alteridades ela ainda disse algo marcante: “Uma atitude raivosa provoca uma reação e não uma resposta”.

Isso ela fala quando pensa a forma e abordagem a comunidades costeiras. Como nós, pesquisadores, nos comportamos frente a essas comunidades quando desejamos encontrar as nossas expectativas na forma de vida dos outros, sem ao menos perguntar o que esses “outros” realmente desejam.

E ao longo desse segundo dia foi justamente essa fala que seguiu ecoando...

Já no turno da tarde a mesa sobre o projeto Dunas, gentes e mares sob a responsabilidade da professora Joana Freitas. E assim a mesa foi composta por ela, o professor João Alverinho e Davis de Paula. E isso me levou imediatamente ao nosso caso das dunas do Cassino e toda batalha que foi a gestão do seu manejo.


Diário 3 – Ribombo no Braspor!

Dia de apresentação. Nervoso. Tenso na medida certa da vontade de estar aqui, justamente, sentindo isso. E que bom que foi tudo isso junto ao mesmo tempo. Foi um momento interessante, de troca, de acolhimento por uma rede que, eu sinto, já sou parte. E isso torna tudo um pouco melhor sempre.

Ahhh o nome do trabalho? Lama na praia do Cassino: o caso da lama de dezembro de 1998.

Depois da apresentação, que resultou em uma série de questionamentos, dúvidas e intervenções por parte do público, o saldo só poderia ser positivo. Primeiro pelo amadurecimento que esse tipo de encontro com especialistas na área traz, segundo pela forma como isso colabora para o prosseguimento da pesquisa, e dos estudos desenvolvidos dentro do grupo de pesquisa.


E após esse momento, a tarde teve uma nova saída de campo, dessa vez no litoral de Sagres. A conexão com o mar, a chance de estar em praias que me conectam ao outro lado, transforma o dia em algo incrível em todo e qualquer ponto de vista. E é por isso que sempre vale a pena, mesmo quando a roupa não é a mais adequada, molhar os pés desse outro lado do Atlântico.

E a cada vez que descíamos do ônibus passávamos por uma aula sobre o local. Mais do que isso os processos adaptativos em meio ao processo de elevação do nível do mar, e mudanças ambientais globais. Ou seja, para cada paisagem que deixava a todos impressionados, uma forma de construir mais conhecimento sobre zonas costeiras.

Diário 4 – Encontrando referências


Esse dia de trabalho trazia uma convidada especial do grupo Ribombo, àquela que é uma pesquisadora referência para nós, Luisa Schimidt. E sua fala trouxe uma série de novas referências no âmbito de pesquisas sobre zonas costeiras e mudanças climáticas aplicadas em processos de comunicação em comunidades impactadas. Ao traçar a abrangência de seus projetos, a forma como seu grupo trabalha, ela confirmou a ideia de emergência de um novo paradigma nas Ciências Humanas para tratar do tema das mudanças climáticas e suas interdisciplinaridades.

No turno da tarde outras trocas de experiências foram apresentadas em se tratando de processos mitigatórios nas zonas costeiras. Dessa vez destacando trabalhos no Rio de Janeiro, Paraíba e costa algarvia.

E aqui deixo o link de um documentário com pescadores do Ceará produzido pelo Labomar, da Universidade Federal do Ceará, o qual foi mostrado quando da apresentação da pesquisadora Danielle Garcez.

 Diário 5 – Quando chega ao final... ou a um novo começo. 


O último dia de evento contou com duas apresentações de trabalho, e uma entrevista em live streaming para televisão pública portuguesa. E quem quiser conferir o que rolou é só clicar nesse link do Centro de Comunicação dos Oceanos: https://www.facebook.com/ccoceanos/?ref=py_c

E dentro de um clima que emanava da certeza de mais uma vez a Rede de pesquisadores da Braspor é uma rede, sobretudo, de amigos – pegando carona na expressão cunhada pela Joana Freitas.

Despedir-se é fácil quando há o sentimento de “Nós sabemos, ano que vem vamos nos encontrar outra vez”.

Diário 6 –O que fica ao Ribombo...

Como em toda viagem de trabalho, o cansaço é a regra ao final do percurso. Mas quem disse que estar cansado assim é ruim? Pois é! Na esfera pessoal o crescimento foi enorme, a possibilidade de estar com colegas que se preocupam com questões caras a nós no grupo Ribombo, ao trabalho que realizo no doutorado. E quanto ao grupo a troca de experiências, a emergência de novas bibliografias, que ainda não chegaram ao Brasil, é a certeza que precisamos investir nesse tipo de internacionalização, que se assenta na parceria, no encontro com colegas que, ao mesmo tempo, também recebem o que levamos do Brasil.

E não para por aí, ao longo do evento pude gravar seis programas no formato Podcast com os pesquisadores presentes de Portugal e Brasil, o que deixa um registro efetivo científico a todos, já que o formato permite que uma conversa se transforme em uma espécie de aula, de troca de informações científicas, experiências e saberes que partem de uma postura interdisciplinar.

Mas isso já é outra história... ou outra postagem!






Felipe Nobrega Ferreira
Graduação em História (FURG),
mestrado em História (UFRGS) e doutorando em Educação Ambiental (CAPES/FURG).
Tema de pesquisa: Fenômenos Ambientais Costeiros e Mudanças Climáticas.