Dossiê Temático ed. 1: Decolonialismo, um primeiro contato



Quando entramos em contato com o que quer seja, pela primeira vez, é natural que nos cause certo estranhamento, ou até que ofereçamos algum tipo de resistência em buscar adquirir um conhecimento mais aprofundado sobre esse desconhecido. Pois bem, foi o que aconteceu com este estudante que vos fala, quando passou a tomar ciência dessa tal teoria Decolonial por meio de debates ocorridos no contexto dos encontros do Ribombo, cujo tema foi proposto pelos colegas Alisson Lucena e Guilherme Almeida, também integrantes do referido grupo de pesquisa.

Em se tratando de mais uma teoria desenvolvida pela academia, encontrei-me extremamente desinteressado e sem vontade alguma para estudar o ―universo Decolonial‖ que estava tendo a oportunidade de conhecer através das palavras dos colegas, visto que estudar determinada escola teórica, por assim dizer, implica buscar assimilar diversos conceitos, métodos, autores e, principalmente, obras produzidas a partir desse pensamento aglutinador. Portanto, cheguei a pensar que mergulhar nesse mar teórico acabaria por complicar ainda mais minha precária condição de estudante de graduação, pois teria de fazer um esforço enorme para conseguir conciliar todas as demandas que tenho de dar conta e provavelmente não conseguiria desenvolvê-las adequadamente.

Dada a situação em que estava, por um período de meses ofereci considerável resistência em buscar estabelecer um contato com o Decolonialismo, o que apenas serviu para o meu entendimento de que essa minha atitude frente à esse campo teórico foi errônea, uma vez que em recentes atividades, tive de fazer uma rápida formação em pensamento decolonial para realizá-las devidamente e, finalmente pude entender a real importância e o motivo de meus colegas estarem se esforçando para estudar e desenvolver trabalhos com essa temática. Em razão do meu recente contato com essa teoria, não me centrarei em citar e explicar conceitos formulados por variados autores que se dizem decoloniais, nem listar críticas pessoais que, por falta de leitura ainda estão em processo de formulação para se tornarem consistentes; centrar-me-ei em fazer um breve relato acerca de contribuições que acredito serem imprescindíveis.

Como principal contribuição, foco na importância de passarmos a olhar com mais atenção para nosso local de origem em vez de nos dedicarmos inteiramente à análise de questões pertinentes a outras regiões do globo, como Europa e Ásia por exemplo – com isso não quero dizer que não tenha importância estudarmos questões que dizem respeito à outros lugares. Simplificando, eu (Rafael), paulista, brasileiro e latino-americano, por quê eu preferiria pesquisar sobre a situação da classe trabalhadora na China em vez de pesquisar sobre classe trabalhadora da minha cidade, do meu Estado, do meu país ou do meu continente de origem? A resposta se baseia na falta de incentivo, desde os anos iniciais de nossa formação escolar, de reconhecermos quem realmente somos e nos preocuparmos primeiramente com os males que nos assolam localmente pra posteriormente nos preocuparmos com os outros locais do planeta. Um reflexo desse costume se mostra claro quando o Estado resolve implantar projetos que são oriundos de outros países sobre seus habitantes – o Future-se está aí - desconsiderando totalmente as condições sociais e econômicas que a grande maioria dos
brasileiros está inserida. Por isso, aceito plenamente a ideia de pensar soluções para determinado problema com base nas especificidades que cada localidade apresenta, uma vez que simplesmente transplantar modelos (sejam educacionais, de segurança pública, de saúde, econômicos, etc.) de um lugar para outro, sem levar em conta as diferenças existentes entre os locais, se mostra uma estratégia falha.

Por fim, deixo aqui registrado a mudança de mentalidade que tive quanto ao Decolonialismo e também minha pretensão de me formar acerca desse universo que apresenta inúmeras e importantes contribuições que tratam das variadas formas de utilizarmos o conhecimento produzido por todos nós na academia, sendo a mais deficiente delas a proposição de ideias que visem a melhora de nosso lugar de origem – algo que acredito fielmente e sendo a realização desse objetivo algo que me dá forças pra continuar firme na luta em prol de melhorias para minha gente!

Para saber mais sobre o Dossiê Temático "Decolonialidade" (Ed. 1/2019), clique aqui. 

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Graduando em História (FURG).
Tema de pesquisa:Educomunicação Socioambiental no Contexto da Ditadura Militar.